Que selfie o quê!

interno

No Bazar Itinerante que rolou no Baja Califórnia, pirando pelas araras do brechó Apagu, conhecemos a Renata Cechinel. E o papo correu soltou sobre moda vintage, o mundo dos brechós, o prazer de reusar e etc, até que ela dividiu com a gente o seu projeto pessoal de fotografia: os autorretratos. Não confunda ** com *****, estamos falando de fotografia artística e não de selfie no espelho, veja bem…

Na hora surgiu a deixa “vai pro Reuse” e depois de algumas trocas de e-mail, a Rê que está lá na Itália nos contou como que isso tudo começou e o seu projeto atual. Resolvemos então não contar nada e sim, deixar que ela mesma compartilhe a sua história com a gente.

Saca só:

Diversas pessoas contam histórias de forma oral e escrita, eu sempre gostei de contá-las através de imagens. Comecei a me interessar por fotografia quando fui clicada a primeira vez, ao 14 anos, depois virou um hobbie, eu criava um roteiro e fotografava ele,em casa mesmo, estúdio caseiro, roupas da mãe e da avó rsrs, sempre gostei mais de “roupas de gente velha” do que de “roupas de gente nova” rsrs!

Quando eu comecei a trabalhar com produção de moda, eu nunca clicava,sempre me sentia incapaz, a critica pessoal sempre me ganhava, isso acontece com mais pessoas do que vocês imaginam, pessoas incríveis inclusive. E quando tive meu primeiro trabalho com fotografia profissional, foi assustador, eu já havia estudado, feito aula prática, mas nunca precisei realmente entender o
equipamento para trabalhar. Foi assim que começou os meus Autorretratos, aprendendo, testando o equipamento em casa, comigo
mesma, no timer da câmera, 10seg: corre, aperta, corre, posa, dispara!

Desde então, a fotografia, especialmente o autorretrato, vem sendo a maneira mais intensa que tenho de me expressar, contar
minhas histórias. Me sinto meio atriz, me dedico ao personagem, entro fundo naquela realidade alternativa totalmente elaborada.

Uma vez li um pensamento que dizia: “Se uma fotografia de moda não contar uma história, ela é só mais uma foto.”, não recordo o autor, mas ele me representa perfeitamente.

Sobre o figurino, as inspirações, são bem variadas. Eu adoro cinema, música, história e antropologia. Em todos os meus trabalhos você encontra um roteiro, ele fala de algo, de uma época, de um estilo, de um pensamento, de um momento político e social. Tento nunca deixar um trabalho vazio, ele está sempre bem “amarrado”, tudo se comunica bem. Os figurinos vem de brechós (sou viciada em garimpar peças bem antigas e únicas) ou armário de parentes e amigas. Conto com outros acervos também, como o Vanilla Effects em Florianópolis, especializado em figurinos. A maquiagem normalmente sou eu que faço, não sou profissional dessa área, mas me saio bem quando crio em mim mesma,
pego muitas referências para inspirar.

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Estou com um projeto novo em fase de edição, dessa vez, me autorretrato como cantoras brasileiras de música popular, a primeira

foi a divina Maria Bethânia (amor da minha vida rs), quando eu ainda tinha minhas longas madeixas. Agora com o estilo haircut, pretendo
fazer Elis Regina e logo após (cabelo chanel), farei Nara Leão. Este projeto não tem data de lançamento. Com a minha mudança para a Itália
no final do mês passado, ainda estou em fase de adaptação, não tenho data para fazer as próximas sessões.

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Para mim no momento, o mais importante é aprender a conviver em outro país, estudar muito, aprimorar meus conhecimentos técnicos e teóricos, e sobretudo, fortificar a identidade brasileira no meu trabalho. Por mais contraditório que pareça, estar em outro país só fortifica seu

patriotismo, isso não quer dizer que vou desistir de tudo e voltar, isso significa que estarei sempre divulgando nossa beleza e cultura do outro lado do oceano =).

arte

Incrível né?

No Reuse Ideias você encontra de tudo que pode ser reusado, repensado e reciclado: ideias, pensamentos, moda, gastronomia, design, música, arte, atitude e muito mais. Tudo que já foi e pode ser novo de novo, porque o que vale é se reinventar.

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